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REVERSÃO DE VASECTOMIA

Aproximadamente 2 a 6% dos pacientes submetidos à vasectomia procuram auxílio médico para reverter a sua cirurgia. Isto se deve a vários fatores: separação e um novo relacionamento, perda de um filho, melhora das condições financeiras do casal, e mais raramente dor testicular persistente após a vasectomia.

Como é realizada a cirurgia?



É importante saber que esta cirurgia não é tão simples quanto à vasectomia (habitualmente realizada de forma ambulatorial sob anestesia local); na cirurgia de reversão o paciente precisa ser hospitalizado, já que o procedimento é realizado em centro cirúrgico e com o uso de microscópio (utilizamos um aumento de 5 a 20 vezes), sob bloqueio anestésico, podendo porém o paciente receber alta no mesmo dia (internação no chamado “Day-hospital”); o tempo de cirurgia varia entre 2 e 4 horas.Todos estes cuidados são importantes para aumentar o sucesso do procedimento, que é grande quanto utiliza-se de técnicas microscópicas e é realizado por profissional experiente com este tipo de cirurgia.

Atualmente temos também a possibilidade de congelamento do sêmen por ocasião da reversão, o que na eventualidade da cirurgia não ter sucesso, podermos utilizar este material para futura fertilização in vitro.

Qual é a minha chance?

Os resultados da cirurgia dependem principalmente do tempo decorrido entre a vasectomia e a reversão:

- Vasectomia com menos de 3 anos = 97% chance de recanalização

- Vasectomia entre 3 e 8 anos = 88% chance de recanalização

- Vasectomia entre 9 e 14 anos = 79% chance de recanalização

- Vasectomia com 15 anos = 71% chance de recanalização

Estes números referem-se à chance de volta dos espermatozóides no ejaculado, já que o percentual de gravidez é um pouco menor, pois aqui dependemos também da idade e do potencial fértil da mulher.

Por que o tempo piora os resultados?

Após a vasectomia a produção de espermatozóides não cessa, e isto faz com que aja um aumento de pressão a partir do local onde se fez a ligadura do ducto deferente até o epidídimo que é o órgão por onde passam os espermatozóides assim que são produzidos pelo testículo. Ocorre que este aumento de pressão no decorrer de vários anos aumenta a probabilidade de ocorrerem roturas no delicado túbulo que compõe o epidídimo. Nesta situação a cirurgia habitual de reversão, onde se faz a reconexão dos ductos deferentes (chamada na linguagem médica de vaso-vasoanastomose) não trará bons resultados, sendo necessária a realização de uma cirurgia mais complexa (a chamada vaso-epididimonastomose) e com um menor índice de sucesso (chance de recanalização entre 60-88% e gravidez entre 25-57%).

Cuidados pós-operatórios

Após a cirurgia recomenda-se não ter atividade sexual ou mesmo realizar atividades físicas por quatro semanas. Normalmente recomendamos utilizar um suporte escrotal durante este período, o que traz certo conforto para o paciente. É também recomendável ficar afastado do trabalho por aproximadamente sete dias.

O retorno dos espermatozóides no ejaculado ocorre em alguns poucos meses em alguns casos, porém pode demorar até 12 a 18 meses em casos mais complexos de vaso-epididimoanastomose.

A gravidez ocorre na maioria das vezes dentro do primeiro ano.